Recriando um Parkflyer
Antes de comentar a respeito, faz-se necessário uma breve introdução sobre aquele que foi o modelo PP (abreviatura de Pequeno Príncipe) e um minuto de silêncio por sua prematura partida. Pronto! O modelo PP, na verdade, não nasceu de forma natural, mas sim como um clone de um modelo já existente, o Starlite, um design de Tom Herr que agora todo mundo conhece, pois sua planta foi publicada na revista Modelismo em Notícia.
 O modelo assim que ficou pronto, com 260 gramas: mais que o dobro do peso recomendado (113 gramas) |
Acontece que eu achei esta planta na internet uns tempos atrás e gostei muito do design então resolvi construir o modelo, adaptando para os componentes que eu tinha mais a mão na época, um motor speed 280, servos de 9 gramas e o receptor comum de meu rádio Futaba. Depois de alguns cálculos rápidos percebi que meu modelo teria teoricamente pelo menos o dobro da carga alar recomendada na planta. Como o motor era maior (o original usava um motor DC5 2.4 e pesava apenas 113 gramas), concluí que se eu apenas aplicasse alguns reforços estruturais o modelo teria grandes chances de voar decentemente. E mãos à obra! O modelo pronto e equipado com baterias NiCd de 250 mA/h e 8,4 volts (7 células) ficou pesando 260 gramas. |
| Eu acabara de promover (?) um levíssimo slowflyer para um parkflyer com jeito de treinador! A despeito do peso a mais, no campo o modelo se mostrou um bom voador, depois de alguns pequenos ajustes. Como este foi meu primeiro modelo elétrico e um dos meus primeiros modelos no geral, tive muitas oportunidades de constatar a importância dos reforços que apliquei na estrutura das asas e fuselagem. Caí incontáveis vezes e o modelo sempre voltava a voar na tarde seguinte, com uma fita isolante aqui, um pingo de cola ali, um remendo... Até o fatídico dia em que ele foi pego de surpresa por uma rajada de vento a uma grande altura, despencou de nariz e acertou em cheio os bancos de concreto da lateral do campo, sofrendo perda total da fuselagem, diante dos olhos incrédulos de um piloto pasmado! |
Recriando...
É claro que sobrou muita coisa pra eu simplesmente jogar tudo no lixo. O grupo de cauda podia ser reparado e a asa estava quase intacta (ela acabou soltando dos elásticos no impacto, só rasgando o plástico em alguns pontos). Assim, usando os mesmos componentes, construí uma fuselagem tipo stick Uma simples vareta) e reinstalei tudo, com o resultado que pode ser observado nas fotos:
Construir é modo de dizer! O que fiz foi adaptar as peças que sobraram, depois dos reparos necessários, em uma vareta de balsa média de 1/2" por 1/2", com o mesmo comprimento da antiga fuselagem. A asa foi fixa de modo permanente com cola quente em dois suportes com um pequeno ângulo de incidência.
O montante do motor foi reduzido a duas varetas fixas na lateral da "fuselagem" e fixação com fita isolante. O trem de pouso foi feito com um raio de pneu de bicicleta. O receptor usado continua sendo um Futaba standard, fixo sob a asa com fita isolante. Os servos foram fixos diretamente na fuselagem com cola quente e a linkagem foi feita, experimentalmente, com um sistema push/push, com um fio de nylon de pesca.
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As rodas que aparecem no detalhe foram feitas com balsa de 1/8" e borracha do tipo utilizada em vedação. Esta roda tem uma aparência muito bacana e é bem fácil de se fazer, além de não comprometer o peso do modelo. Há um pequeno artigo na sessão faça você mesmo que descreve passo-a-passo sua construção. Olhando bem, dá pra notar o detalhe da fixação da asa e do receptor. Após o "renascimento", o avião acabou pesando 35 gramas a menos que o anterior, o que me pareceu promessa de bons vôos. Com o modelo pronto e trimado, notei nos testes de pré-vôo que ele estava um pouco pesado de cauda. Por isso, durante o vôo, ele demorava para responder aos comandos de leme. |
De volta a bancada, a melhor solução que achei para resolver o problema foi encurtar a cauda da "fuselagem" em aproximadamente 4 centímetros. Além disso, substitui o sistema de controle por fios de nylon por um mais confiável, com arame de aço. No teste estático, o CG ficou no lugar certo. No campo, o avião parecia outro! Estava muito mais obediente e ganhanva altura com mais firmeza. Com um pequeno mergulho, para ganhar velocidade, é possível fazer loopings. Se o chão for pavimentado, é possível decolar e até arriscar alguns touch-and-go. Sem dúvida, a emenda saiu
melhor que o soneto!