O básico do depron - Air Camper

Com a correria do fim de ano, o depron tem se mostrado uma brilhante alternativa para se manter voando sem perder muito tempo construindo ou muito dinheiro comprando nossos slowflyers de cada dia. Como bastante gente escreve perguntando sobre alguns detalhes da construção com este versátil material, fotografei algumas passagens da construção de um dos meus últimos projetos, o Air Camper, e compilei algumas dicas básicas. Este modelo é um bom exemplo, pois seu formato semi-escala requer algumas técnicas diferentes, mas muito simples.



Antes de mais mada, uma citação de um camarada meu da Noruega, que faz aviões de depron há um bom par de anos: "Uma folha de depron é um modelo ARF". De fato, a construção com depron é mais uma montagem, dada a simplicidade. A começar pela planta: não precisa! Usando estas placas basta que se tenha as vistas ou meros templates do modelo almejado.

O template que usei é o que está representado ao lado (clique na figura para baixar o tamanho original, zipado), com pequenas modificações que foram acrescentadas durante a montagem. Ele foi baseado numa planta de um modelo glow, reduzidas as dimensões e simplificado o desenho, retirando cavernas, varetas e detalhes desnecessários. Como minha impressora não imprime folhas deste tamanho, fiz um versão colorida sobreposta, que pode ser impressa em formulário contínuo. Estas vistas não precisam ser exatas, apenas dão uma idéia do contorno do avião, simplificando o traçado dos cortes e a determinação de medidas de largura e altura para cada seção da fuselagem. A asa está representada apenas como uma nervura, informação mais que suficiente, pois é retângular, com corda constante. Basta que se saiba que ela possui 96 cm de envergadura.




Uma vez impressos os templates, basta transferir o desenho para o depron e começar a cortar. Neste caso, como a parte superior da fuselagem é arredondada e a vista lateral não mostra isso, é necessário que as laterais recortadas sejam um pouco menores que o especificado. A parte superior é feita como peças à parte, como veremos em frente.


O grupo da cauda e as superfícies de comando são cortados como peças separadas e não requerem maiores esforços. Tanto o bordo de fuga quanto o bordo de ataque destas partes assim como os da asa deverão ser lixados arredondados, para diminuir o arrasto. Esta operação deve ser feita antes da montagem destas peças no avião.


Com as peças todas cortadas é só começar a montagem. Repare nas duas metades da asa recortadas, ao fundo. Até aqui eu gastei poco mais de meia placa de depron, sendo que o restante teve que ser usado para a construção de uma nova asa. Todas as colagens feitas neste projeto foram feitas com "cola-não-tão-quente".


Eu comecei a montagem pela fuselagem porque a asa é bastante simples e não toma muito tempo. A montagem e distribuição das cavernas não estão especificadas na planta, mas não requerem grandes cálculos (desde que você se lembre de que vai ter que carregar rádio e bateria dentro desta fuselagem). Cuide para qua as laterais fiquem bem alinhadas!


O chapeado inferior da fuselagem pode ser feito tanto entre as laterais quanto abaixo delas. Entre dá um pouco mais de trabalho e um acabamento melhor (neste caso lembre-se de fazer as cavernas 5 mm mais curtas na parte inferior). Abaixo fica um pouco mais resistente.


Os decks superiores são trabalhosos, mas relativamente simples. Também podem ser feitos de dois modos. Um deles é riscando o depron com um cortador de pizza, no sentido da dobradura (como descrito na asa, mais abaixo). O outro é usar um depron mais fino (tenho um cortador de isopor que permite partir uma placa de 5 mm de espessura ao meio, ficando com duas de 2,5mm), que se curve sem quebrar.


As cavernas arredondadas dos decks devem coincidir com as que já estão na fuselagem, embora sejam necessárias em menor quantidade. A parte traseira é fixa permenetemente com cola quente e a dianteira (a princípio) apenas com fita adesiva, para facilitar os reforços dos locais da bateria, trem de pouso e montante do motor.


Com tudo no lugar use lixa fina para dar acabamento. Aí é que se descobre uma desvantagem da cola quente: as sobras são difíceis de remover com lixa (ou com qualquer outra coisa). Embora eu não tenho fotos para demonstrar, os reforços são simples de serem feitos: cole no chapeado inferior nos dois primeiros compartimentos (motor e bateria/trem de pouso) pedaços de isopor grosso (+ ou - 20mm de espessura) para amortecer os impactos e vibrações.


Embora minha intenção seja dar enfoque somente às partes que possam ser usadas em qualquer modelo, o trem de pouso do Air Camper ficou bastante rígido e merece ser citado como opção para outros aviões. Uma vez que o reforço de isopor da bateria foi colado no fundo da fuselagem, basta inserir os palitos de bambu do tipo usados para churrasco, reforçando-os com cola quente por dentro e por fora.


A distribuição deve ser a mais simétrica possível, para dar o melhor visual. A colagem do reforço inferior e do eixo de aço de 2mm foi feita com cola epóxi de 30 minutos para garantir maior resistência a impactos, já que a bateria vai logo acima do trem de pouso. Fica bonito e bastante resistente, como pude comprovar na prática!


Já nos finalmentes, a asa. Esta parte é bastante simples, mas é sobre ela que mais recebo dúvidas por email, assim aí vai uma explicação em fotos. Com o retângulo cortado na medida, fiz os traços ao longo da curvatura com caneta, para referência, e depois com um cortador de pizza. Não force muito para não cortar o depron. A intenção é apenas sulca-lo.


A medida entre os traços ou entre eles e os bordos não é crítica, vai no chutômetro. Apenas providencie para que elas fiquem iguais nas duas metades da asa. Após fazer os sulcos é moleza ir dobrando com cuidado a asa, parte a parte, apoiada em uma superfície plana. Pode ser útil passar uma fita adesiva larga sobre a área sulcada no extradorso (costas) da asa, para evitar pequenos acidentes.


Repare que o depron fica com o perfil, mesmo sem as nervuras. Com um pouco de prática é possível fazer boas asas sem precisar fazer estes cortes. Sem cortes, elas ficam mais resistentes e com aparência mais limpa.


As nervuras são coladas com epóxi quando a asa já está no formato desejado, para garantir que ela permeneça assim. As nervuras da raíz (o ponto onde as asas se encontram) devem ter uma ligeira inclinação para fora da asa, para facilitar a colagem das duas metades com um bom ângulo de diedro.


A junção das duas metades também deve ser feita com cola epóxi (seja generoso!), assim como os reforços do diedro e as longarinas. Experimentei problemas com reforço de balsa e por isso usei palitos de sorvete nesta asa, tão leves quanto e muito mais resistentes. Aliás, embora não esteja nesta foto, fiz a cabana de suporte da asa com estes palitos também; Ficou bastante aprazível.


As longarinas são de bambu e não precisam ir até a ponta da asa, apenas até pouco mais da metade. Esta da foto é o segundo par de asas que fiz pois a primeira, sem longarinas dobrou em vôo. O depron pode ser pintado com qualquer tinta à base de água ou esmalte sintético (sem diluir com Thinner). Depois de pintado, cubra pelo menos a asa (o extradorso) com fita adesiva transparente.



Bom, é claro que isso não é tudo, apenas como sugeri algumas dicas básicas de processos que podem ser usados em qualquer avião "made in depron". Existem muitos outros detalhes e muitas outras manhas que só são aperfeiçoadas com a prática e que serão vistas em artigos futuros. Aguardem!

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